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Subindo a Pedra do Sino, uma experiência nas montanhas de Teresópolis

Subindo a Pedra do Sino - Foi em 1998, quando meu Pai resolveu mudar para Teresópolis(RJ), que tive o primeiro contato com o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, onde fica a Pedra do Sino. Sempre gostei de montanha, por isso ter a oportunidade de visitar a família para passar meus finais de semana na serra me animaram tanto que nem esperei a casa do meu Pai ficar pronta e já fui pra lá, dormi em colchonete no único quarto pronto da casa ainda em obra.

Quando resolvi ir pela primeira vez na trilha, nem imaginava o tamanho dela, fui subindo e pensei, “Não existe trilha que não leve a lugar nenhum“, então subi por quase 1 hora até uma cachoeira. Fiquei muito feliz e já achei que tinha conquistado a trilha, até que um casal de franceses desceu e me encontrou sozinho, conversamos um pouco e então descobri que ainda existia muito chão até o topo! Voltei feliz pela “conquista” da cachoeira, mas já querendo descobrir mais sobre o tal pico da Pedra do Sino! Qual a altitude, qual a distância da trilha, quantas horas pra subir, se era muito frio, se daria pra dormir lá, se teria que pagar, o que levar na subida?! Enfim, eu tinha muitas respostas para buscar antes de voltar! Nesse post vou contar como foi, depois de encontrar essas respostas,  a minha experiência de subir a Pedra do Sino…..

Trilha da Pedra do Sino
Trilha da Pedra do Sino

Claro que passei muito tempo pesquisando sobre essas perguntas, na época não havia tantas informações assim disponíveis como temos hoje na internet, afinal era 1998 e o Brasil ainda era tetra Campeão, ou seja, faz tempo hein! Minha maior fonte de informação foi conversar com pessoas locais.

Depois de aprender muita coisa sobre a trilha e descobrir como subir a Pedra do Sino, foi hora de planejar a subida. Mas sempre que eu planejava uma data, algo acontecia. No primeiro ano já estava com a mochila pronta, mas o tempo virou e mesmo com uma chuva leve, existia risco do tempo piorar, enfim, desistimos. Nos outros anos sempre havia problemas de agenda, algum compromisso de última hora ou alguma eventualidade que atrapalhava meus planos.

Foram 15 anos de espera, quando em junho de 2013 finalmente chegou a hora. Chamei um amigo que logo topou fazer essa aventura e ainda chamou seu primo para se juntar a nós, afinal não é uma boa subir sozinho pra fazer uma trilha dessas. Fomos bem cedo em direção a Teresópolis, a cidade fica a cerca de 90 km do Rio de Janeiro. Chegando por lá o primo do meu amigo chamou outros amigos aventureiros e já éramos um grupo de quase 11 pessoas.

Os 10 amigos que estavam comigo nesse caminhada especial!
Os 10 amigos que estavam comigo nessa caminhada especial!

Confesso que se eu tivesse subido em 1998 eu poderia subir aquela trilha pulando num pé só, mas em 2013 eu estava um pouco sedentário, mas achando que ainda poderia subir num pé só. Bom, bastou 30 minutos de caminhada para ver que não ia ser tão fácil assim subir igual ao Saci. O inicio tem muitas pedras no caminho e o terreno fica bem irregular, o corpo ainda não está acostumado com o ritmo e com a altitude (não é nenhum Everest, mas faz um efeito!) e a mochila que devia estar com cerca de uns 7 kg, começava a parecer ter mais de 21 kg.

Mas logo o trilha começa a melhorar e ficar com menos pedras no caminho, o organismo começa a entrar no ritmo da caminhada que vamos cadenciando de forma devagar para respeitar a subida e conseguir um ritmo adequado. É claro que cada um tem seu ritmo, mas procuramos manter o mesmo ritmo para o grupo todo, colocando os mais lentos e sedentários na frente e os com melhor preparo físico atrás. Nesse momento obviamente depois de muito preparo para fazer essa caminhada, peguei meu lugar de direito no grupo, ou seja, até que foi legal poder ficar curtindo o visual sem ter ninguém na minha frente! rs!

Depois de cerca de 1 hora de caminhada chegamos na cachoeira Véu da Noiva, aproveitamos para descansar e beber um pouco de água, e claro, curtir o visual e fazer algumas fotos. Depois andamos cerca de quase 2 horas com as árvores cobrindo o céu quase todo o tempo. Passamos por um ponto descampado onde paramos para lanchar e descansar, e depois começou uma parte da caminhada bem bonita.

PedraSino_intrip2013_cachoeira

A vegetação começou a mudar, a ficar mais rasteira e com várias pontos com flores típicas de altitude. As rochas voltaram a aparecer no caminho, só que dessa vez estavam bem molhadas, pois essa parte da montanha é bem humida e nós estávamos num fim de semana com o clima um pouco nublado, o que contribuía bastante para deixar o terreno daquele jeito. Nessa parte final eu já estava bem cansado (culpa do meu estado de sendentarismo daquele ano), até caimbra eu já estava sentindo, mas eu já tinha andado tanto e foram 15 anos de espera, que em nenhum momento pensei em desistir. Ok, andar mais devagar, passo após passo mentalizando o cume, mas desistir, jamais!

Vegetação rasteira na altitude perto do cume da Pedra do Sino
Vegetação rasteira na altitude perto do cume da Pedra do Sino
Os paredões das cadeias de montanhas ao lado da Pedra do Sino
Os paredões das cadeias de montanhas ao lado da Pedra do Sino

Depois de exatas 5 horas de caminhada chegamos ao “4º Abrigo”, uma pequena casa de madeira com uma infraestrutura simples disponibilizada pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos. É possível acampar na frente dele, usar um dos quartos coletivos que tem beliches ou dormir no seu colchonete (ou saco de dormir) lá no bivaque (uma espécie de sótão com chão de madeira). Nós conseguimos ficar nessa última opção, o que foi muito bom, pois evitou a necessidade de subirmos pesados, carregando barracas.

Chegando no abrigo, deixamos nossas mochilas, descansamos um pouco e nos preparamos para atacar o cume. Daquele ponto em diante, faltavam ainda alguns metros por uma trilha mais estreita e por cima das rochas. Com cerca de pouco mais de 20 minutos, após apreciarmos uma paisagem incrível das montanhas em volta, finalmente cheguei onde eu desejei chegar por 15 anos, cheguei no topo da Pedra do Sino.

Eram cerca de 17:30, o céu estava lindo e o sol já descendo, mas conseguimos ver toda a cadeia de montanhas da região, inclusive o famoso “Dedo de Deus”, cartão postal da cidade. O lugar é mágico, a paz ali nos dá vontade de esquecer do mundo lá em baixo. Mas por alguns instantes foi isso que fizemos, depois de uma foto típica da pedra que dá origem ao nome do lugar, sentamos e ficamos observando o sol descer e as nuvens tomarem conta do lugar, como se fossem uma cortina de algodão. Sério, que lugar fantástico!

O Sol já indo embora, quando chegavamos no cume da Pedra do Sino
O Sol já indo embora, quando chegavamos no cume da Pedra do Sino
Eu (Fábio Lima) na Pedra do Sino.
Eu (Fábio Lima), no pico, na Pedra do Sino.

Escureceu, então tivemos que nos preparar para voltar para o abrigo. Fizemos uma fila indiana, acendemos as lanternas e descemos um auxiliando o outro na iluminação do caminho. Todo o cuidado era pouco para descer naquela escuridão total, mas voltamos sem problemas para o abrigo. Lá tem uma cozinha com estrutura básica, mas que dá para preparar um bom miojão para matar a fome. E foi o que fizemos, preparamos nosso jantar e depois fomos descansar. Estávamos tão cansados que por volta das 20h30 já estávamos todos deitados e não demorou muito para dormirmos.

Eu e uma parte do grupo acordamos as 4:30 da manhã, com a intenção de voltar ao cume e poder ver o sol nascer de lá. Porém, nesse dia não demos sorte, uma chuva muito forte caiu naquele horário e não era possível subir com aquele “pé d`água”. Voltei a dormir e levantamos por volta as 7:30. Um café da manhã rápido e iniciamos nossa descida debaixo de muita neblina. A trilha estava bem molhada e escorregadia, alguns escorregões foram inevitáveis, mas sem ninguém se machucando, apenas tivemos boas risadas e calças imundas de lama!

A noite caiu e nós preparamos para descer a Pedra do Sino
A noite caiu e nós preparamos para descer a Pedra do Sino
Descendo a Pedra do Sino com muita neblina na trilha
Descendo a Pedra do Sino com muita neblina na trilha

Depois de cerca de 4 horas e meia, já estavamos lá embaixo de volta. Foi hora de me despedir do grupo, pegar o carro e voltar para o Rio de Janeiro, mas com a certeza de que valeu muito a pena essa espera. Eu já estava com saudades daquela caminhada, das horas divertidas com os amigos de trilha, das fotos e daquele lugar mágico que é a Pedra do Sino.

Pretendo voltar em breve, mas dessa vez a Pedra do Sino será só uma passagem para um outro destino, pois seguindo caminho por cima das montanhas, existe uma trilha que leva até a cidade vizinha, Petrópolis. A caminha leva cerca de 3 dias e é aconselhável fazer com um guia ou alguém experiente da região.

Nosso grupo em frente ao Abrigo do Parque Nacional
Nosso grupo em frente ao Abrigo do Parque Nacional

Veja aqui a matéria que fizemos com mais informações do que é preciso para subir a Pedra do Sino, o que levar, como chegar e mais algumas dicas pra te ajudar a viver uma experiência tão bacana quanto a que nós vivemos

Confira o ÁLBUM DE FOTOS COMPLETO de nossa aventura!

Boas Viagens e lembrem-se….Seu destino é você quem faz!
 
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